Quando tinha 16 anos, um amigo declamava-me:
Maria, teu lindo nome
serve para tudo hoje em dia
se uma criancinha tem fome
come bolacha Maria
Confesso que não é uma bolacha muito apelativa para os meus botões gostativos.
Não é que me desgrade mas também não me satisfaz como por exemplo os maravilhosos cookies de chocolate da Cadbury's.
A Maria foi a bolacha da minha infância, simples, torrada, compondo sandes de manteiga, queijo ou marmelada nas várias combinações possíveis, manteiga e queijo, manteiga e marmelada, marmelada e queijo, manteiga e queijo e marmelada, à qual se juntaram depois as Wafers de baunilha e chocolate e as caixas de Sortido Rico. Só bastante mais tarde descobri as Coríntias, as Belgas, as Belinhas, etc.
A Maria continua a ser a bolacha da primeira infância na creche da Mathilde e da Manon.
Sexta passada a pequenina roubou uma à maiorzinha e atirou-se a ela como gato a bofe, à bolacha, não à irmã.
Não houve qualquer engasgo, trincou, mastigou (com os poucos dentinhos que tem), amassou com a língua, sujou mãos, roupa, boca, cara, cabelo, tudo e adorou a boa da Maria. Se a queremos ver sossegada agora, é dar-lhe uma bolacha Maria.
"Tu veux un gateau-maman?" É frase do pai.

Mudam-se os tempos mas o meu lindo nome continua a servir para tudo hoje em dia, se a Manon ou a Mathilde têm fome, pois claro que comem bolachas Maria