Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

O ataque dos clones


Ao deitar...

- Sabes o que eu queria mamã? Era ter três mães e três pais, todos iguais. Assim dois ficavam comigo, a fazer-me festinhas, dois ficavam com a Manon e os outros dois já podiam ir lá para baixo quando nós estamos a dormir.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Vamos ao circo! (ou Sitiados II)


Fomos ao circo, ao Chen desta vez.

Há um ano escrevi que só se há dinheiro é que há palhaços e jurei, peremptoriamente, não regressar tão cedo.
Ofereceram-nos bilhetes e esqueci-me da jura. Uma amiga disse-me uma vez que não podemos viver agarrados a promessas, pelo menos a algumas; decidi a posteriori que foi o caso;)
Fui ver os palhaços sem gastar dinheiro nas entradas, gastando-o depois parvamente em pipocas, pão com chouriço, chupa-chupas gigantes e voltinhas em carrocéis. Safa!, que os "à coté" custam um balurdiozinho sobretudo tendo em conta o que são.

Este espectáculo nada teve a ver com o que assistimos no ano passado. É o circo como dele me lembro em criança. Até os diálogos dos palhaços rico e pobre eram semelhantes aos dessa época longícua e fizeram-me rir como então.

Trapezistas, equilibristas, malabaristas e contorcionistas em muitos números conseguidos, espantosos, bonitos e profissionais.
Lá estiveram também tigres, camelos, lamas, búfalos, yaks e bisontes, escusados, aqui para nós, até porque exibi-los não me faz grande sentido e fico sempre a pensar que as condições de vida dos bichos não serão as mais agradáveis. O habitat não é, nem aproximadamente,o deles e se eu fosse um lama suponho que o que me apeteceria seria cuspir à minha vontade nos Andes.

As manas adoraram e a Mathilde, que tem um mini trapézio no jardim fabricado pelo papá, confirmou-lhe várias vezes que vinha para casa treinar e que um dia vai fazer aquilo tudo. Esclareça-se que ela afirma nos últimos meses que quer ser "professora acrobática", antes isso que Strongest Woman of the World a arrastar camiões presos a correntes num qualquer programa underground de um qualquer canal perdido no cabo.

O Circo Chen reconciliou-me com este passeio típico da quadra natalícia.
Contas feitas, gostei muito de rever os palhaços da minha meninice. Há quem não goste, eu rio-me sempre com um bom palhaço! ;)

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

O dia da sobrevivência ao "Nada pára a modernidade!"


Nem só de acontecimentos brilhantes se constroi a vida.

Há dois dias, numa festa de anos de um colega, a Mathilde caíu de um pula-pula insuflável.
Caíu de uma altura aparentemente inofensiva, meio metro.
O detalhe que condicionou a consequência foi o chão, de cimento, bem durinho.
Traumatismo craniano com perda de conhecimento, 15 segundos, mais coisa menos coisa, uma eternidade...

Susto! Valentíssimo!
Dos alguns pais dos amigos que lá estavam, dos amigos, nosso quando nos ligaram e dela, grande grande susto dela.

Choro profuso, tinóni até ao Hospital, gelo dentro de uma luva feita saco improvisado, radiografias, vigilância de 48horas do estado de consciência e, graças a todos os Anjinhos da Guarda, apenas um galo gigante que se fartou de cacarejar na cabeça da nossa acidentada.

A Mathilde, por sua vez, já voltou a cantar, e nós também. Foi muito valente, decidiu ir sozinha na ambulância e portou-se melhor que gente grande durante todo o processo.

A Manon diz que a mana desmaiou como a Branca-de-Neve e a Aurora mas não por causa de maçãs ou fusos, bateu com a cabeça, "muito perigoso, pois é mamã?"
Nós dizemos que agora é que ela ficou maluca de todo;):D
E ela ri-se e aproveita os benefícios secundários, prendas das amigas, miminhos dos colegas, telefonemas dos pais e mães que muito nos comoveram.

Isto de ser médica tem o inconveniente de nos lembrarmos de complicações terríveis e a que me ocorreu imediatamente foi a do Joaquim Agostinho, o inicialmente silencioso hematoma subdural.
Passei pois as primeiras 24 horas entre a preocupação relativa uma vez que ela se mostrava bem, apenas com dor de cabeça, pois pudera!, e o alívio graças à bonança que a sorte permitiu.

O que me ocorre no fim deste episódio ansiogénico é:

"What the fuck faz um pula-pula em cima de um chão de cimento e sem protecções laterais?"

Dizem-me que as crianças já não vivem sem insufláveis. Eu preferia quando eram os adultos brincavam com bonecas.

Domingo, Novembro 29, 2009

"La Fontaine" III




Ele há princesas que mantêm a esperança nos sapos, sem descurarem a hipótese dos passarões.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Pesadelos


Há umas semanas a Mathilde acordou a meio da noite aos gritos. Aos gritos desceu da cama, aos gritos correu pelo quarto às escuras atirando ao chão, com grande estardalhaço, o que encontrou pelo caminho e aos gritos desceu as escadas até me encontrar já a subir ao seu encontro.
Um sonho mau!, um sonho terrível!!, que ela nem conseguia explicar de tão assustada e atordoada. Lá a consolei e tranquilizei, o melhor que consegui tendo em conta o meu atordoamento ensonado, até que acabou por adormecer.

Na manhã seguinte, já bem desperta, contou-nos que tinha sonhado com uma família de vampiros que corria atrás de nós, cada um com o seu alvo bem definido, dispostos a comerem-nos, mordendo-nos no pescoço. Contou isto com um ar ainda um pouco apavorado.

O papá, dono de uma sabedoria intuitiva exemplar sobre a infância, apressou-se a explicar-lhe como se matam vampiros, sobretudo a parte do pau espetado com toda a força no coração. Eu acrescentei a água benta e as cruzes mas, declaradamente, não surtiram o mesmo efeito. Agora que penso nisso, esqueci-me dos alhos... mas na Buffy não me lembro de alguma vez os ter visto usar tal bulbo...

Na noite seguinte dormiu sem um piu, como é seu costume.

De manhã a questão que se colocava era obviamente "Então Mathilde, sonhaste com quê?"
A resposta surgiu com a maior das serenidades, espelhando a noite, "Sonhei com os mesmos vampiros. Mas matei-os todos com um pau no coração. E a Manon, que já tinha quatro anos, ajudou-me."

Não há nada como dar cabo dos nossos medos.

Grande Mathilde! Que resolveste o teu pavor! (Dormiste sem um piu e com um pau!)

Grande papá! Que lhe mostraste o caminho!

Grande Manon! Que até cresceste meio ano no sonho! ;)

E já agora grande eu! Mais que não seja porque estou a escrever a história! :D

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Sonhos III

Sonhar destingue a condição humana e todo o humano sonha. A memória pode ser mais ou menos vívida mas todos sonhamos, é a nossa forma de resolver durante a noite o que nos incomoda ou preocupa durante a vigília.

Os sonhos de repetição, bastante comuns, interessam sempre quem se dedica à saúde mental.

Durante anos há bastantes anos já, sonhei um bem angustiante em que, para além de ter de atravessar de carro um caminho muito mais estreito que o própio carro a metros e metros de altura, tarefa já de si muito complicada e que me lembrava um dos pesadelos em Elm Street qualquer, talvez o terceiro, que começava com um autocarro em situação semelhante, para agravar ainda mais a situção a estrada subia sem aviso em ângulo recto e eu acordava sempre antes de chegar lá acima.

Explicações freudianas à parte que envolvem seguramente simbologia sexual ;), o que é certo é que uma noite cheguei lá acima against all odds.
E quando cheguei estava num cenário paradisíaco.

Assunto arrumado pois nunca mais o sonho se repetiu.
Quando acordei concluí que, mesmo sem saber bem qual, tinha resolvido o problema, e bem!
Associei livremente tal feito a ter encontrado o pai das minhas filhas e acho bastante provável que a interpretação passe por aí.

Tanto tempo depois, há uns dois ou três anos vi o meu cenário final, num livro da Mathilde. Tal e qual.
Quando virei a página, deslumbrei-me com a imagem. Pode parecer um desenho banal aos olhos de outros mas aos meus é, em absoluto, o meu lugar de felicidade no meu sonho resolvido.



O que senti quando o vi num livro da minha primeira filha foi uma espécie de magia, como se o destino me tivesse reservado tal momento numinoso.

Se calhar é só a carga de alegria e tranquilidade que lhe coloco, a ressonância emocional que lhe imponho.
Se calhar se não fosse através deste livro, teria sido de outra forma.
Ou se calhar foi porque a Mathilde nasceu que o encontrei.
E de todas as hipóteses enumeradas e outras não citadas a que mais gosto é desta, pela sensação de não-acaso.

É um pensamento mágico? É! E então?
Freud não explica tudo e mesmo ele disse, às tantas, que às vezes um charuto é apenas um charuto ;)

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Sonhos II e/ou Sleeping Beauty II


A Mathilde conta-nos os seus sonhos desde muito pequenina.
São quase sempre histórias mágicas com castelos onde ela vive com a irmã, tubarões que lhe mordem um pé, estrelas que a vêm salvar, balões, canções e resoluções de conflitos que a deixam acordar bem disposta pelo sucesso do seu mundo de fantasia.
Um dos sonhos que nos contou uma vez foi o do seu casamento com o seu adorado António. Um vestido maravilhoso, um baile de encantar, enfim, a panóplia toda de uma menina feliz a dormir serena.

A Manon demorou mais tempo a lembrar-se do que sonha.
Dos relatos que nos tem feito, o que eu mais achei piada, já há uns meses, e continuando na lógica príncipe encantado e princesas em castelos de histórias fantásticas, incluía o seu amado Thomas. Estas miúdas são umas pinga-amor;).

À questão matinal "Com que sonhaste esta noite Manon?" a resposta foi "Com o Thomas, estava a dormir com o Thomas."
Contou-nos então que ela e o seu apaixonado se tinham picado num fuso e não conseguiam acordar. Dormiam pois muito contentes um com o outro.

Há dois anos a Mathilde também sonhava que dormia com o seu príncipe.

Qualquer princesa percebe o bom que é dormir com o seu príncipe.

Moral dos sonhos: Dormir com quem amamos é bom.

Pensamento materno e paterno no que diz respeito ao conteúudo onírico:
Perlimpimpim e nem sequer a história vai a meio quanto mais chegar ao fim...