
Nem só de acontecimentos brilhantes se constroi a vida.
Há dois dias, numa festa de anos de um colega, a Mathilde caíu de um pula-pula insuflável.
Caíu de uma altura aparentemente inofensiva, meio metro.
O detalhe que condicionou a consequência foi o chão, de cimento, bem durinho.
Traumatismo craniano com perda de conhecimento, 15 segundos, mais coisa menos coisa, uma eternidade...
Susto! Valentíssimo!
Dos alguns pais dos amigos que lá estavam, dos amigos, nosso quando nos ligaram e dela, grande grande susto dela.
Choro profuso,
tinóni até ao Hospital, gelo dentro de uma luva feita saco improvisado, radiografias, vigilância de 48horas do estado de consciência e, graças a todos os Anjinhos da Guarda, apenas um galo gigante que se fartou de cacarejar na cabeça da nossa acidentada.
A Mathilde, por sua vez, já voltou a cantar, e nós também. Foi muito valente, decidiu ir sozinha na ambulância e portou-se melhor que gente grande durante todo o processo.
A Manon diz que a mana desmaiou como a Branca-de-Neve e a Aurora mas não por causa de maçãs ou fusos, bateu com a cabeça, "muito perigoso, pois é mamã?"
Nós dizemos que agora é que ela ficou maluca de todo;):D
E ela ri-se e aproveita os benefícios secundários, prendas das amigas, miminhos dos colegas, telefonemas dos pais e mães que muito nos comoveram.
Isto de ser médica tem o inconveniente de nos lembrarmos de complicações terríveis e a que me ocorreu imediatamente foi a do
Joaquim Agostinho, o inicialmente silencioso hematoma subdural.
Passei pois as primeiras 24 horas entre a preocupação relativa uma vez que ela se mostrava bem, apenas com dor de cabeça, pois pudera!, e o alívio graças à bonança que a sorte permitiu.
O que me ocorre no fim deste episódio ansiogénico é:
"
What the fuck faz um pula-pula em cima de um chão de cimento e sem protecções laterais?"
Dizem-me que as crianças já não vivem sem insufláveis. Eu preferia quando eram os adultos brincavam com bonecas.