domingo, 15 de março de 2009

"Madame"

O tema da Escola da Mathilde é durante este ano a evolução do mundo.
Cada turma da Infantil, Pré-Primária e 1º Ciclo tem ao longo do ano uma performance com um assunto específico, por ex. a evolução dos meios de comunicação, a evolução da escrita, a evolução dos transportes, etc.

Na sala da Mathilde, o tema é o vestuário.
34 meninas e meninos prepararam pois um desfile de moda desde a pré-história, passando, entre outros, pelo Império Romano, o Renascimento, os Beatles, a actualidade e imaginando o futuro, um futuro prateado ao som da música que John Williams criou para "A Guerra das Estrelas".

À nossa Mathilde coube-lhe a época do barroco, e assim andámos em bolandas, entenda-se sem sossego e não aos tombos, a tratar da produção de uma mini-Maria Antonieta que se queria elegante, ornamentada, extravagante e exuberante.

No que diz respeito à maquilhagem fizemos um ensaio na semana anterior com muito pó de talco, rosetas coradinhas e gloss mais vermelho que as coisas vermelhas.




Vários leques sofreram lesões de tão abanados ao longo da semana.
Os ensaios repetiram-se na escola, com a Educadora, e em casa, connosco, cheios de abanos também de anca e voltinhas sorridentes.

A Mathilde experimentou o vestido na véspera, alugámos uma cabeleira, juntei-lhe umas penas e um coração de prata que era da minha mãe, daqueles que se abrem e que ainda guarda uma fotografia minha dos meus tempos de bem mais pequena, para pendurar numa fitinha de veludo encontrada na retrosaria do bairro.
Até meias de ligas, sem ligas, que não são mais do que mini-meias de adulto que lhe chegam a meio das coxas e lacinhos nos sapatos do mesmo tecido do vestido eu arranjei ;)


E chegou o dia do tão esperado espectáculo, foi na sexta-feira passada, logo de manhã.



Estavam todos tão giros!

A nossa mini-Marie Antoinette "perdeu a cabeça" com a descoberta de uma nova profissão a de "Especialista" e não, não são os meninos das "Winx" são os "Estilistas", que também houve um no fim do desfile a acompanhar a noiva e a atirar beijinhos ao público. Um mimo! :)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Associações livres VII


Consideração da Mathilde sobre pastilhas elásticas, a comer uma goma em forma de cão:

- Si je mange un "Chiengum", je vai beaucoup aboyer, je te le dit!

Piropos modernos

- O Gustavo diz que quer casar comigo. Gosta do meu cabelo.
- Mas o que é que ele disse exactamente?
- Que eu sou linda. Linda até ao espaço!
- Bem Mathilde! Linda até ao espaço? Isso é absolutamente maravilhoso. Linda até ao espaço...
- É assim mesmo mesmo linda.
- E tu? Agradeceste?
- Sim, disse obrigada e que ele era muito querido mas eu já tenho um namorado e não pode ser.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Reflexões

No carro, silêncio, "um anjo passa"...
- Estás com um ar tão pensativo Mathilde... estás a pensar em quê?
- ... Estou a pensar na minha vida...

quinta-feira, 5 de março de 2009

I say a little pray for you

No outro dia, entrei no quarto da Mathilde para a aconchegar e dar um beijinho de "Boa noite" e dei com ela em cima da cama, de joelhos e mãos postas com um ar muito compenetrado.
- Mathilde... estás a rezar?
- Sim...
E fiquei ali calada a olhar para ela. Ouvi o "Avé Maria" todinho que acabava com "rogai por nós pecadores agora e na horta da nossa morte".

Sorri, perguntei-lhe onde tinha aprendido, ela disse-me que tinha ouvido na escola e lembrei-me de um colega dela de nome José Maria que há uns tempos pediu à mãe que lhe ensinasse o "Ah! Zé Maria!"

E depois esclareci que não é horta, se bem que o termo adoce a frase (quase que juro que ela disse "Regai por nós" mas não garanto e não explorei o assunto) e que rezar não tem de ser com versos aprendidos de cor. Basta falar com quem ela quiser falar, seja a Maria, o Jesus ou o Anjinho da Guarda.
E ela, muito solícita:
- Maria, guarda a minha família!

Amor é...


No domingo passado, ligámos ao António para que ele viesse brincar com a Mathilde.
Ele não podia, já tinha programa, mas ao fim da tarde veio buscar a sua donzela e levou-a a um concerto no Conservatório de Cascais.

E lá foi a Mathilde, on a date, mais uma vez, com o seu António :)

Amor é...
... um concerto inesperado.

Top + da Manon

- Et toi Manon? Quelles sont les choses que tu aimes le plus?
- Les bombons et les rebuçados.
- Et après?
- Les chocolats et les chupas.

Top + da Mathilde actualizado

- Mathilde, quelles sont les choses que tu aimes le plus?
- Papa!
- Les choses.
- Papa!
- Ok chérie, et les choses?
- Dormir,
Noël,
Le weekend,
Monsieur Chat,
Le chauffage (entenda-se aquecimento central e não aquecimento do carro).

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Top 3 da Mathilde

- Mamã! Sabes qual é a coisa que eu mais gosto de todas?
- Qual é?
- Dormir.
- Eu também gosto. E a seguir?
- ... O Natal.
- E a seguir?
- O fim-de-semana!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Pijamas, praias e poses

No domingo passado a Mathilde teve a sua primeira pijama party.
Uma amiga da escola, a Carolina, convidou-a para ir dormir a casa dela e dizem-nos que se divertiram muito.
Foi engraçado fazer o saco com o pijama, a escova de dentes e a roupa para o dia seguinte.
Toda desembaraçada, parece ela que tem o dobro da idade, quer repetir a experiência e trazer as amigas todas cá para casa.

Enquanto isso, a Manon passou dois dias de filha única a aproveitar os mimos exclusivos e o sol iodado.




















Correu por todo o lado, fez construções com areia, pauzinhos, pedras e conchas e até tivemos direito a pose para as fotografias.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Máscaras

Quando eu era pequenina, e via as crianças mascaradas na rua, sonhava sair vestida de índia ou de palhaço. Não me lembro de me querer disfarçar de fada ou de princesa. Queria sim um fato de camurça com mocassins, uma pena com uma fita na cabeça e pinturas riscadas na face ou então uma peruca careca na zona fronto-parietal, um nariz vermelho e sapatos de meio metro sobre meias às riscas que se veriam por baixo de calças assimétricas 5 números acima do meu seguras por suspensórios e uma flor que bisnagaria água na lapela.

A única vez que me mascarei (que a minha mãe me mascarou) em miúda foi de gueisha, imagine-se!, eu que não suporto sapatos apertados nem tenho jeito nenhum para penteados apanhados complicados. Também não tenho jeito para penteados soltos simples, parece-me de alguma forma óbvio que não seria uma cabeleireira de sucesso, uma máscara que nunca me atreveria a experimentar sem pejos.

Depois fui crescendo e fiz um fato de Emília, a boneca viva do Sítio do Picapau Amarelo. Fiz o fato e a cabeleira com lã e arames para que as tranças ficassem reviradas (a lã é mais domável que os cabelos e a falta de queda para os pentes e as escovas era sobejamente substituída por um engenho aguçado pela necessidade).

Já maiorzinha fiz um fato de Pierrot cosido por uma amiga que percebia de máquinas de costura. Eu cortei e fiz os pompons, com lã claro, a lã era um elemento que eu dominava, muito tricot explicado pela minha mãe, muitos trabalhos manuais no colégio, muitas fadas do lar, muitos arraiolos, e muitas carteiras feitas com agulha e lã passada entre os espaços de uma rede de plástico quadriculada, técnica da qual me escapa totalmente o nome mas que ainda no outro dia apreciei dentro de um baú de recordações dos meus anos de menina.

E quanto a carnavais é tudo o que me lembro.
Não é uma festa que me atraia nem que me repulse. Acho bonito o de Veneza, louco o do Brasil e causador de infecções respiratórias mais ou menos graves o de Portugal.
Agrada-me que numa época como a Idade Média, o Cristianismo desenfreado da altura tenha inventado o "adeus à carne" para que se pudesse entrar aliviadinho na quaresma, sempre são 40 dias e 40 noites antes da Páscoa em jejum ou abstinência.

Percebo que se possa vibrar com uma festa em que "ninguém leva a mal", só me chateia que no resto do ano não se seja mais tolerante porque, dando apenas um exemplo pequeno, se há tanto homem que adora vestir-se de mulher no nosso país, ainda hoje vi imensos, espanta-me que muitos deles sejam homofóbicos e não mandem beijinhos aos amigos, apenas abraços que é coisa de Homem. Quer dizer, não me espanta mas tenho alguma pena. No que à alegria e tolerância diz respeito, o carnaval podia não ser 3 dias, que aliás são 5 e venha o lugar comum, mascarados andamos todos o ano inteiro.

Claro que com as manas M & M o entrudo é uma alegria pegada.

A Mathilde pedia um vestido da Bela há anos. A associação à namorada do Monstro deve-se à cor do cabelo e gosto muito da ideia uma vez que Bela não é uma donzela desesperada à espera de um príncipe que a salve de uma madrasta ou de uma bruxa ou de uma madrasta/bruxa más.
A Bela é inteligente, adora ler, é destemida e apaixona-se pelo que é invisível aos olhos e se vê com o coração, ao ponto de tocar uma fera no seu melhor e fazê-lo voltar a brilhar.
Gosto da Bela. Gosto da Bela desde que a vi na Broadway em Dezembro/1994.
E mais, apesar da Comédie Musicale - Notre Dame de Paris, de grande sucesso em França, não ter nada a ver com esta menina do vestido amarelo mas sim com com a cigana Esmeralda, a canção mais conhecida daquele espectáculo começa assim: "Belle, c'est un nom qu'on dirait inventé pour Elle..." e é verdade, aplica-se à Mathilde.


A nossa loirinha, que me respondeu no outro dia a propósito de comer peixe que não se rala nada se não for inteligente ;)(ela gosta de peixe mas naquele dia não estava para aí virada e o argumento "le poisson rend inteligent" não pegou), atravessou no final do ano passado a fase Cinderela, um déjà vécu com a Mathilde.
Pois Cinderela foi a sua escolha e que bela Cinderela nos saíu!
Não desprezar nunca uma menina capaz de dançar em cima de sapatinhos de cristal, que fala com os animais e que troca as voltas a uma madrasta e duas manas feias. Não é muito muito importante que não passe horas na biblioteca para o desenrolar do filme, são histórias de vida diferentes para que fique defendida a personagem eleita pela Manon.


Lembrei-me este ano que quando era miúda muitas meninas se vestiam de espanholitas com vestidos às pintas, colares, castanholas, flores no cabelo e um sinal no queixo. Lembrei-me porque vi às carradas, mais do que há 4 anos vi Noddys, é um sinal dos tempos com certeza, a moda é um carrocel:)
A Mathilde ficou fascinada e ainda mais quando foi a casa de uma amiga passar a tarde de sábado e esta lhe emprestou o seu vestido de sevilhana.


Para acabar a festa ainda recuperámos um dia cá em casa os modelitos de fadas do ano passado.

Foram 5 dias animados, nada como as crianças para que a vida seja um carnaval.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Tour Eiffel



(Mathilde - Fevereiro/2009)

Não substimar os produtos "brancos"!


A beber leite...

- Mamã, se nós dermos leite branco a uma pessoa que é preta por dentro, ela fica branca, não é?
- Uma pessoa que é preta por dentro? Como assim Mathilde?
- Sim, o leite é branco e a pessoa fica branca.
- E o que é que é ser preta por dentro?
- É ser má.
- Ah... pois, talvez, Mathilde...
- O leite é bom.
- Sim. O leite é bom e é possível que faça bem a uma pessoa preta por dentro sim, claro, porque não?
- Claro, porque não?

Different Schools


Manon - A Nicole levou um filme.
Mathilde - Quem é a Nicole?
Manon - É a minha professora de Inglês.
Mathilde - Ela chama-se Nicole?
Manon - Chama-se.
Mathilde - A minha chama-se Teacher.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Amor é...


Ontem de manhã, combinei com a Mathilde que ligaríamos ao António para que ela lhe desse um beijinho de S. Valentim.

Ao fim da tarde, preparava-me para o dito telefonema quando ligou a Ju, a mãe do seu príncipe pedindo para vir buscar a Mathilde porque ele tinha uma surpresa para lhe mostrar em casa e queria porque queria que ela lá fosse ONTEM. Ela lá foi.

A surpresa não era o burro Joaquim ;), mas sim um coelho branco, o Buddy, que "significa companheiro como ela tão bem explicou quando voltou. (Um coelho é um companheiro que cabe mais facilmente num apartamento do que um burro.)

A Mathilde adorou a surpresa, o António vir buscá-la, o Buddy, tudo. Nós também. Teve um ar de date improvisado.
Eu senti uma grande alegria ao vê-la ir tão contente com o seu "namorado".

Amor é...
... um coelho branco surpresa!

Relações "fraternas"


- Estás a ver Manon?, a Maxime (uma labrador preta linda) é meiguinha. Estás a ver?, a Mónica (a minha afilhada de 4 anos recém feitos) não tem medo. Também é verdade que a Maxime é dela.
- Pois, eu não tenho um cão. Eu só tenho uma mana. - e desenha na cara, na qual só apetece dar beijos, um sorriso satisfeito.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dá cabo de mim IV - A verdade sai da boca das crianças

Hoje de manhã, a Mathilde ouvindo a mesma canção:

- Porque é que ela está sempre a dizer o mesmo?
- Para que se perceba bem que ela tem dificuldade em falar de amor, é o tema da canção.
- ... então mas ela está a falar...

Dá cabo de mim III - A saga continua

Ontem no carro...
- Mamã, eu quero a canção do amor.
- Está bem Manon.

Após uns tantos "... não sei falar de amor...":

- Ela não consegue... Porquê mamã?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Petit rat de l'Opéra


Na semana passada fomos assistir à aula de ballet da Mathilde.

Pequenos exercícios cheios de fantasia - as fadinhas, os lenços, o galope, o saltinho do joelho, as mãos bonitas da menina que apanha estrelas enquanto sonha, a poção mágica da bruxa, o afiar dos pés, a boneca marionette, as rodas, desenhar "i's" com os pés, abrir a janela no plié, os saltos, o agradecimento, a despedida.



Tudo muito esmerado. Uma maravilha. Adorámos.

A professora disse-nos depois que a nossa Mathilde é "Super- bailarina", uma graça.

Inchados já estavamos, mais inchados ficámos:)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Dá cabo de mim II

As nossas crianças preocupam-se, definitivamente, com a "Deolinda".

Hoje de manhã...
- Mamã, eu quero o "Amor".
- (Pois pudera! , eu também. Quem não quer?) Chama-se "Não sei falar de amor". Gostas Manon?
- Sim...

Após o 5º "... não sei falar de amor" veio o sussurro intrigado e um pouco pesaroso:

- Ela não consegue falar de amor...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dá cabo de mim ;)


A Mathilde, que é uma cantora, canta e cantarola tudo o que pelos ouvidos lhe passa, não ficou indiferente aos Deolinda. Como ficar aliás?

Gosta de todas as canções, pede "Não sei falar de amor" e a primeira vez que ouviu no Fado Toninho -

"Ó meu rapazinho,
eu digo: Enfim!
Se não me seguram
dou cabo de ti!",

olhou para mim e, com um ar meio apreensivo/meio divertido, sussurrou:
- Ela dá cabo dele...

Não sei porquê exactamente mas durante algum tempo esta canção era "aquela do estou tão irritada!" . Suponho que teria alguma coisa a ver com o tom e com o refrão que ela aprendeu logo,

"se não me seguram
dou-lhe forte e feio
beijinhos na boca
arrepios no peito
e pagas as favas
eu digo: - Enfim!
ó meu rapazinho
és fraco para mim!",

com as variações finais, cada uma melhor do que a outra.

O mais engraçado são as entoações fadístico-vadias que ela usa imitando a Ana Bacalhau.

No outro dia viu uma fotografia da vocalista numa revista. Perguntou quem era e eu expliquei.
Ontem ao mostrá-la a uma amiga minha, a Pi, e quando esta lhe perguntou quem era, a Mathilde repondeu prontamente:
- É uma menina que canta no nosso carro!


Li algures que Ana Bacalheu gostava tanto de cantar num auditório como a céu aberto, embora fosse mais fácil instalar alguns adereços num auditório como uma mesa-de-cabeceira com um retrato.
E se for uma viatura familiar? Será que pode ser?

ps - Gosto muito da ideia de dar cabo de alguém com "beijinhos na boca e arrepios no peito". É que me apraz sobremaneira:)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

The world's favourite childrens's writer


Conheci Roal Dahl há uns 4 anos quando me interessei pelo livro que uma colega lia cujo título me fascinou "Histórias em verso para meninos perversos".
Assim que pude perguntei por ele numa livraria e embora não o tenha encontrado nas bancas descobri um não mais acabar de títulos. O primeiro que comprei foi: "Matilde", claro :), uma menina extraordinária, e desde então cada vez que descubro um novo não lhe resisto.
Roal Dahl toca na minha criança interior cá com uma genica, na minha e na de muita gente provavelmente. Os miúdos devem adorar as histórias dele com tantas coisas mágicas e sobretudo com aquele sentido de justiça em que os bons são recompensados e os maus muito muito bem castigados. Eu adoro:D

Mostrei finalmente às manas M & M o filme "Charlie e a fábrica de chocolate".

A Manon ficou fixada no filme. Não há dia que não me fale da menina mimada e mal educada, a Verruga, que "queria isto e queria aquilo e queria isto e queria aquilo...", da Violeta que mascava pastilha sem parar e que, desobediente, ficou azul e redonda como uma blue-berry, do gordo Augustus que só pensava em comer, do Mike TV que era bruto e impertinente e do Willy Wonka que no fim ganhou uma família, a do Charlie, o menino pobrezinho.

A Mathilde também gostou muito. Dançou as canções todas dos Umpa-lumpas e ficou incomodada com a Verruga porque a achou bonita mas esclareceu-se e esclareceu a Manon com a afirmação: "Ela é bonita por fora mas é feia por dentro!"

Mais um sucesso na bilheteira cá de casa portanto.

Descobri hoje, ao passear pelo site do escritor favorito das crianças em todómundo que ele escreveu "Goldilocks". Tenho de o descobrir para a nossa boucles d'or.

Poliglotices II



Mamã: "É meio-dia."
Papa: "Il est midi."
Mathilde: "Je sais dire midi en anglais: mydee!" (leia-se maidi em tom jocoso)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

7/7 - 24/24


Desde muito pequenina que a Mathilde é fascinada pelos orientais.
Sempre que vê um ser humano de olhos em bico exclama alto e bom som: "Maman, papa! Regardez! Des chinois!"

Um domingo, teria ela 2 anos mais coisa menos coisa, comentava no carro que estava tudo fechado quando passámos por uma loja chinesa.
O papá, em tom sarcástico, concluiu: "Sauf le chinois. Le chinois est toujours ouvert."

A partir de então esta última frase passou a fazer parte do repertório de Miss Mathilde.
"Le chinois est toujours ouvert." e que bom que assim é uma vez que há alegrias inusitadas nestas lojinhas "de conveniência".

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Manon



"Tenho o cabelo dourado.
Sou crescida e com pernas grandes.
O que eu gosto mais de fazer na escola é dançar."

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Conta, peso e medida


No início do 2º período recebemos a "Ficha de observação do aluno" da Mathilde.

Tem várias áreas:


Formação Pessoal e Social
Expressão e Comunicação
Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita
Domínio da Matemática

Cada uma delas com muitos itens.

A escala de avaliação é de 1 (Não adquirido) a 5 (Bem adquirido).
Pelo meio dos 5 todos um 3 (em aquisição) chamou-nos a atenção - "Compreende noções relativas a conceitos de peso".

Uns dias depois, no carro...

Mamã - Mathilde, quem é que é mais pesada? Tu ou a Manon?
Mathilde - Sou eu, claro.
Mamã - E entre a mamã e a Manon?
Mathilde - És tu!
Papá - Et qui est le plus lourd, papa ou toi?
Mathilde - C'est toi papa, pourquoi?
Papá - Et si je te demande entre papa et maman?
Mathilde - ... Les deux!

E riu-se, espertalhona, com um ar de quem não queria ferir susceptibilidades, pelo meio de um sorrisinho malandro.

Parece-nos que o conceito está em franca aquisição, temperado com uma noção de gentileza social;)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Wellcome (to) 2009!

O ano começou em Amboise, perto de Tours.

Diz-se que está frio em Lisboa. Está de facto mais frio, em toda a Europa aliás.
Cá em casa gostamos de calor. Se não tivessemos saído durante a semana do fim do ano/começo do novo provavelmente eu estaria a insultar S. Pedro. No entanto rapámos tanto frio em Tours e arredores que, como ainda não fiz o reboot ao termostato hipotalâmico, Lisboa e arredores parecem-me estar a atravessar uma pré-primavera sueca (ouvi há coisa de um ano na televisão que a definição de Primavera para os suecos é "uma semana com temperaturas acima de zero").

A média durante a nossa estadia por terras de França foi de zero graus, mais a cair para os 3 negativos durante todo o dia que para os 2 positivos.

E depois há aquela verdade inequívoca que diz que o corpo compara e ao fazê-lo pondo no termómetro 25 dentro de casa e -3 no exterior, a ampiltude de 28 grauzinhos fazia com que ao sair do quentinho todos os músculos, pele e anexos cutâneos leia-se pêlos, cabelos e até unhas, e mesmo os tecidos conjuntivos (os de suporte) ficassem firmes e hirtos e a bater palminhas, não de felicidade mas em jeito de transe e súplica de regresso rápido a uma temperatura mais adequada à vida humana, excluindo a vida humana esquimó, esses vêm com um termostato hipotalâmico centrado no zero mais coisa menos coisa.
Atrevo-me mesmo a supor que até o tecido nervoso ficava transtornado e rígido, o que não abona a favor dos circuítos que se querem descontraídos.

A Mathilde, que é maravilhada por tudo o que é castelo e princesa e que foi de férias muito entusiasmada porque lhe prometemos ir visitar vários castelos no vale do Loire, depois de 2 visitas deu três vivas quando lhe anunciei que ao terceiro só ia eu.
Quando saíamos para passear, muito bem tapadinhos, sobretudo as meninas, a Mathilde enrolava o cachecol em torno da cara, estilo múmia. A Manon comentava apenas que estava frio. O papá é o mais resistente mas agradeceu não ir ao terceiro castelo também. Alguns dos nossos amigos circulavam sem gorros nem luvas e alguns até saíam de camisola. Eu parecia uma cebola. Invejo quem não sente frio!

Apesar do tempo frigorificante foi uma semana muito divertida para as manas M & M.
Juntámo-nos 5 casais, outrora sem filhos e actualmente com 12, 11 meninas e 1 rapaz, o mundo é das mulheres;).
A Mathilde a a Manon brincaram muito, comeram muito bem, correram nos jardins dos Castelos de Amboise onde repousa eternamente Leonardo Da Vinci e de Chenonceau construído sobre o rio.




Gostava de as ter levado a Chambord, o dito terceiro no meu itinerário, que começou por um pavilhão de caça e que aumentou a tal ponto que se demora pelo menos uma hora e meia a visitá-lo.

As lareiras são do tamanho de camas, as camas são com baldaquinos e curtas, uma vez que se dormia sentado com medo que a morte chegasse se a posição horizontal fosse adoptada.
Como lenha, sejamos práticos, cortava-se uma árvore inteira e atirava-se lá para dentro e aquilo aquecia, oh se aquecia!, o que levava as salamandras a fugirem dos troncos e os nobres da época a imaginá-las animais mitológicos que resistiam ao fogo. Como o rei, François I era forte, o seu símbolo tornou-se a salamandra, resumindo há salamandras por todo o lado nos castelos e descobri porque é que uma salamandra daquelas para aquecer a casa se chama "salamandra".

Fiquei com pena de não irmos ao Castelo d'Ussé, o que inspirou o da Bela Adormecida. Fica para um estação do ano mais amena :)

A noite de final do ano 2008 teve direito a roupa de bailarina, maquilhagem e hora de dormir para lá do que alguma vez tinha sido autorizado.
Adorei passar o ano com a Mathilde ao meu colo e ao colo do papá, aos pulos e a gritar "BONNE ANNÉE!!!" por baixo de um ramo de gui como manda a tradição francesa (não sei como traduzir esta planta; não, o Gui não é uma pessoa).
A Manon já dormia, pediu às 22h30 para ir para a cama e deitou-se muito contente desejar "Feliz ano Novo" a toda a gente.






Parece que quando começa um ano novo se pedem desejos.
Eu não gosto de passas e onde estava não as havia. A opção das uvas nem me passou pela cabeça e eu sou mais "Em Roma sê romano" por isso nem me lembrei de subir para uma cadeira, nem de entrar com o pé direito ou com os dois, nem bati tampas de panelas à janela, até porque estava um briol que não o aconselhava.
Também por isso não pedi os tradicionais 12 desejos que se resumem no desejo primeiro e último da humanidade, ser feliz, estar bem.

Para mim, qualquer ano é bom quando estamos bem, e quando estamos com quem amamos e o que quero sempre é poder estar assim, bem e com quem amo e que os que amo estejam muito bem.


O meu desejo é pois que o ano seja cheio de saúde e graça! Tudo o resto vem naturalmente.

Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal a todos!

My sweet prince





A Mathilde pediu para ligar ao António a desejar Feliz Natal.
O seu príncipe antecipou-se e ligou primeiro, há bocadinho.
Combinaram ir juntos ver o burro Joaquim.
Uma felicidade! :)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Uma flor, uma pequena flor...



Todas as manhãs, quando sai de casa, a Manon vai direita a um arbusto florido do jardim e colhe uma flor amarela, a mais bonita aos olhos dela. Leva-a na mão com muito jeitinho, dá-me a outra, olha para mim e diz: É para o meu Thomas.

Todas as manhãs.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Não há dinheiro, não há palhaços!



Quando eu era pequenina, todos os anos pelo Natal, a minha mãe levava-me ao circo. Eu adorava.

Conheço muitas pessoas que não gostam, sobretudo por causa das condições inadequadas em que se diz viverem os animais. Também me incomoda, coisa que com 5 anos não sabia, no entanto a verdade é que eu fiquei com uma imagem prazenteira porque adorava aquele espectáculo apesar do mal sentada que ficava naqueles bancos de madeira corridos e com pregos mal aplicados em tábuas tortas e apesar do frio no interior do recinto (é de relembrar que eu gosto de calor ao ponto de tomar sempre duche a ferver mesmo que estejam 40 graus lá fora e 90% de humidade, condições ideais para o meu estado mais esfuziante de alegria sem que que a tensão arterial se esfume).
Eu gostava mesmo do circo.
Um dos meus livros predilectos era "Anita no circo", sobretudo o modelito de ilusionista que a protagonista usava no número de magia.
A Mathilde sempre gostou desse livro e pedia-o muitas vezes, quase mais do que o "Anita mamã" ou o "Anita vai às compras", os outros que ocuparam durante meses o pódio da (minha/depois sua/agora delas) colecção Anita.

Postos estes requisitos, fomos ao circo há duas semanas, ao Cardinali.
Deparei-me com bastantes mudanças.

Para começar o circo já não é apenas uma tenda onde decorre um espectáculo mas também um espaço onde há pipocas, algodão doce, minis e bifanas, carrinhos de choque, carrocéis e mini-montanhas russas, tudo debaixo do mesmo tecto.

Depois já não há bancos de madeira, nem corridos nem sem ser corridos.
O perímetro da tenda aumentou gigantescamente e cabem sentadas 3 mil pessoas. Não percebi como é que muitas delas vêem o espectáculo sem ficarem com um valente torcicolo já que bastantes lugares, semelhantes aos dos estádios de futebol, não estão todos voltados para o centro onde os artistas se apresentam, estão de lado. São assentos corridos, deve ser uma alteração no sentido da modernidade como remniscência dos de pau, só que, como fixos ao chão, continuam em linha recta e nos ângulos posteriores do recinto estão virados para outros assentos e não para o palco. Os espectadores ou se sentam na diagonal ou viram o pescoço 90º, é à escolha.

O circo agora é aquecido, pelo menos mais que dantes.

Os números sucedem-se a uma velocidade vertiginosa, há muita variedade, no entanto a maior parte é tão rápida que fiquei com a impressão "Mas é só isto?". Por exemplo os trapezistas, que eu venerava em pequena, que queria saber voar como eles e cair elegantemente na rede de segurança, deram 4 voltinhas e pronto. Isto para não falar que com os 3 atletas que balançavam pelos ares, subiu também uma senhora que ficou apenas lá em cima, suponho que como enfeite. Que é feito das meninas que sabiam fazer mortais e pinotes como nos genéricos do 007?

Os palhaços, já de tenríssima idade, entraram com um "touro" com 2 pares de pernas humanas cujo dorso de tecido tinha buracos de tão gasto.

Um outro entertainer, muito dinâmico e simpático, executou dois números com espectadores escolhidos ao acaso por entre um público escasso, a casa estava quase às moscas. Dois números feitos classicamente nos espectáculos amadores do Club Med. Será o Club Med que plagiou? Não me parece mas não garanto nada, podem ser números de circo copiados, ou podem ser números do Club adaptados. No entanto surpreenderam-me, não são assim tão fantásticos, penso, que não pudessem ser substituídos por outros desconhecidos.

Um mágico com cães acrobatas fez as delícias das meninas, cãezinhos quase todos já entradotes mas que provaram estar ali literalmente para as curvas, enquanto que um outro mágico apresentou os dois únicos animais selvagens, um tigre adulto e um bebé, um deles branco, já não sei qual porque o número foi francamente mau e com uns flops pelo meio.

Um ponto agradável é que já não há quase nenhuns animais no circo. Mas, apesar de saber que assim, ao menos, a problemática da situação dos bichos não se coloca,tive uma certa nostalgia ao lembrar-me dos elefantes e dos ursos e dos leões e até do tanque com tubarões que tão anunciado foi há décadas e que eu me lembro de ver e não perceber grande coisa do número.

Houve também alguma, chamemos-lhe, confusão na apresentação dos artistas. "Um número de cortar a respiração com ... (nome que eu não conseguia perceber, o som era mauzito), que nos chega do México!", "Senhoras e senhores, meninas e meninos, o grande ... (outro nome diferente, imperceptível) vindo da Austrália!" e, vendo bem, ou mal, bastava ver, o artista era o mesmo.

Achei muita graça a umas acrobatas que se penduravam uma na outra pelo cabelo e a um jovem que para além de fazer maravilhas acrobáticas fez as delícias da Manon que comentou, não sei quantas vezes, "Ele está de cabeça para baixo! Olha mamã! Em cima das mãos!" e nenhuma graça ao número das motas, uma barulheira infernal para mostrar uns cavalinhos que certamente agradam aos rapazes, ou não.

Para terminar o circo já não é barato. O circo é caríssimo! É caso para dizer, nesta altura de crise, invertendo a expressão "Só se há dinheiro, é que há palhaços!"

Feitas as contas, que me desculpem os que abominam este espectáculo, pois continuo a deleitar-me com a recordação remota do prazer que era ir ao circo no natal com a minha mãe e que me desculpem os que adoram, pois fiquei com a imagem actual de uma certa decadência que me entristeceu até.

Saí de lá desconsolada pessoalmente, o papá também, e satisfeitos "materna e parternamente", a Mathilde e a Manon gostaram, de tudo menos das motas :) e assim sendo, apesar do balúrdio que consideramos ter pago e que jurámos não repetir enquanto nos lembrarmos, o balanço foi positivo tendo em conta que o objectivo era mostrar-lhes o que era aquele mundo que aparecia no livro da Anita e aquele que conhecíamos da nossa infância. Já está, ponto!

Trabalhos manuais IV



(Espanta-espíritos made by papá e Mathilde)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sagrada Família


Gosto muito do Natal.
Sempre gostei dos preparativos, de decorar a casa, de inventar penduricalhos para a árvore, de escolher as prendas, de fazer algumas, de preparar a ceia, pôr a mesa, acender velas por todo o lado, escolher o vinho, enfim, todo o antes me agradou sempre muito.

Gosto de oferecer presentes, em qualquer altura do ano aliás, mas é do Natal que falo agora e nesta época ainda mais me encanta.

Há um perfume a Natal que eu percebo no ar. Não o sei definir em palavras, apenas que está onde por onde quer que eu vá durante Dezembro, provavelmente não é de Dezembro, é meu durante esta quadra mas seja como for, eu gosto.

Gosto dos filmes de Natal, de todos, choro em todos, alguns baba e ranho... nos outros também... mas é do Natal que falo agora.

Adoro as canções de Natal e se há coisa que me põe radiante é ir ao super-mercado e cantarolar as que vão tocando pelos corredores. Custa-me como é que, com tão alegre música, as pessoas andam mal encaradas e aos encontrões enquanto escolhem qual o bolo-rei mais adequado aos seus desejos, eu até nem gosto de bolo-rei. Mas "Rocking around the Christmas Tree", por exemplo, põe-me as endofirnas aos saltos.

Nem tudo nos preparativos me altera os níveis hormonais da felicidade no sentido ascendente.
Aborrece-me que haja tantas pessoas sem Natal, tantas crianças infelizes e tanto sofrimento. Nos outros meses do ano também porém é do Natal que falo agora. Passo a quadra a tentar melhorar ainda que seja infimamente o Natal de algumas delas e acredito que é possível, por vezes, uma pequena atenção fazer sorrir alguém e isso, pelo menos isso, já é qualquer coisa.

Num outro capítulo, aborrece-me o consumismo exagerado, ao qual também eu por vezes não escapo porque me apetece dar tudo a quem amo, a hipocrisia do "paz-e-amor-ai-que-somos-tão-queridos-uns-para-os-outros-e-de-repente-lembrei-me-que somos-amigos-porque-é-Natal!" e a das obrigações natalícias como o "ter-de-dar-isto-a-não-sei-quem-porque-parece-mal-não-dar".

Tenho feito por abolir estes pontos pretos do meu cenário infantil, alvo e cheio de luz porque para mim o Natal, por definição, é um mergulho feliz na infância.
O Natal é das crianças e todos nós, todos!, até os que parecem ter nascido já com 40 anos, têm uma criança cá dentro. A minha pula feliz porque o Menino Jesus nasceu e é tempo de festejar!

É claro que só nos apercebemos da luz porque conhecemos a escuridão e vice-versa, e que mesmo as coisas menos boas fazem parte deste mundo e eu até gosto de preto, muito mesmo, mas hoje não me apetece considerar o pacote, é do meu Natal ideal que falo agora.

Hoje a minha alma pula mais ainda de cada vez que as minhas miúdas pulam, de cada vez que os olhos delas brilham e que o papá pula também, sim que a criança dele manifesta-se naturalmente sem censura, e ainda bem.

O meu Natal é Natal graças a ele e às nossas meninas, é deles que falo agora.

Pois se o Natal é a festa da família, em honra da Sagrada, eu sagro a minha e sinto-me consagrada por ela.

É Natal! Decorre a época oficial.

É Natal.
Há luzes e enfeites nas ruas. Há pinheiros dentro das casas. Há duendes, anjos e presépios nas montras. Há Pais Natal pendurados em locais inenarráveis. Há guizos e sininhos na alma. Há promoções especiais e jantares sobrepostos. Há festas nas empresas. Há festas nas paróquias. Há festas nas sociedades recriativas.
E há festas nas escolas.

Nas das manas M & M celebraram-se esta semana. Em dias diferentes, valha-nos o acaso!, que se tivessem calhado na mesma tarde a divisão familiar teria custado a todos.

Na quarta foi a da Mathilde, uma festa grande num pavilhão grande de uma escola muito muito grande, com muitos alunos.
O papel que lhe coube deliciou-a e não podia ser mais adequado - bailarina, cheia de brilhantes, totós espampanantes, sapatilhas e uma saia de fada.

Quando se encontraram depois de tudo terminado, a Manon olhou para a Mathilde e disse-lhe: "Mathilde, tu es belle, belle, belle! Belle Mathilde!"
E estava mesmo.

Nessa noite, a última coisa que a pequenina me disse antes de adormecer foi: "Mamã, eu amanhã quero maquillage na festa para ficar linda para o meu Thomas!"


A da Manon foi pois no dia seguinte onde ela, vestida de menina do coro, cantou:

É Natal! É Natal!
SSamos sem demóla
Adolále o menino
Que nasceu agóla

Esta noite é bela
Entre o céu e ela
SSamos à capela
Felizes rezále
Ao tocále o sino
Sino pequenino
Vem o Deus menino
Pala nos salvále

Toca o sino pequenino
Sino de Belém
Já nasceu o Deus menino
Que a Senhola tem


É um miminho ouvir uma canção de Natal à chinês, com aquela vozinha muito doce.
E sabe a letra toda! É uma loira com memólia apurada;)

O Pai Natal da creche trouxe-lhe uma caixinha de livros pequeninos e como a Mathilde já não tem disso (Pai Natal na escola, não livros), o mesmo senhor de barbas brancas também lhe ofereceu um (um livro, não um Pai Natal).
Mais uma vez a nossa princesa maior nos comoveu. Não quis abrir o embrulho dela até a Manon ter recebido o seu para poderem abrir juntas.


Entre o meu aniv e as festas delas foi uma bela semana! Com presentes e doces. E ainda a procissão vai no adro ou, melhor dizendo, ainda a gestação de Maria não chegou a termo.

Valha-nos Nossa Senhora contentora do colesterol, o Menino Jesus dos Triglicéridos e S. José protector da carteira.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Felicidades


Há 38 anos, estava eu ainda na barriguinha da minha mãe, posso chamar-lhe barriguinha porque, segundo consta, a minha progenitora engordou apenas 5 quilos durante toda a santa gravidez.
Santa porque de mim se tratava, claro;)
E claro porque não encontro melhor explicação;)

Comecei a minha vida neste mundo extra-uterino às 21h45. E desde então que ando a ver se cresço.
E cresço.
E cresço todos os dias mais um bocadinho de há quase 5 anos para cá graças às minha filhas. E ao pai delas também, claro. E claro porque é, em parte, a explicação.

É a explicação destas meninas tão meiguinhas, que me enchem de festinhas na cabeça e na cara quando estou ainda meia a dormir, meia acordada, a resmungar que não me apetece levantar.
A explicação da excitação da Mathilde que não conseguiu manter-se a dormir até às 10h como é o seu habitual aos fins-de-semana porque hoje era o aniversário da mamã.
A do brilho nos seus olhos quando me abraçou, me cantou os parabéns e me disse que eu sou a mais bonita das mamãs.
A explicação dos caracóis da Manon a deslizar ondulantes enquanto ela saltava para o meu colo e sorria matreira pronunciando pausadamente um "joyeux anniversaire maman!"

Cresço porque aprendo e para aprender.
Não há nada tão sábio como a inocência, apesar da contradição eventual das duas palavras. Se vivessemos como as crianças estaríamos em equilíbrio de naturezas, a nossa com a que nos rodeia.
Não há melhor do que o "aqui e agora" que as minhas filhas me mostram diariamente. E diariamente me repito, "aqui e agora, eu estou bem". Ainda que "bem" seja pouco descritivo, "bem" é das melhores palavras aplicáveis ao meu estado, hoje, 14 de Dezembro de 2008. "Feliz" é outra.
Obrigada mon amour.
Obrigada mes amours.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lógica II ou "anticonstitucionalissimamente"

Mathilde: "Hoje o G... disse uma coisa que não se deve dizer."
Mamã: "Disse? O que foi? "
Papa: "C'était un gros mot*?"
Mathilde: Non.
Papa: "Tu sais ce que c'est un gros mot, Mathilde?"
Mathilde: "Oui, c'est un mot avec beaucoup de lettres!"



*palavrão

(acrescente-se que o exemplo no título já foi destronado há uns tempos)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cartas ao Pai Natal

"Querido Pai Natal,
gostava de ter as Winx, gostava também de ter uma casa dos Poneys, a casa dos Pet Shops e a casa da Moranguinho. Também as fadas da Sininho e a casa.
Depois queria o vestido da Bela.
Querido Pai Natal, portei-me muito bem e vou à Expressão Dramática para aprender jogos.
Mudei de escola e gosto muito da escola nova.
E gostei tanto que tu gostaste que eu te dei a chucha!
Adeus querido Pai Natal.
Tens de dar presentes aos meninos que não têm papá e mamã.
Beijinhos Pai Natal, um grande abraço, daqui mando-te um beijinho.
Mathilde"

1ª conclusão - Esta miúda não quer brinquedos, quer um monopólio, quer ser rendeira, nada como ter bens imóveis!
2ª conclusão - Quando se é capitalista "on peut faire la Belle". ;)
3ª conclusão - A Expressão Dramática é um sucesso e não há melhor do que aprender brincando.
4ª conclusão - A escola dos grandes é um marco na vida dela.
5ª conclusão - Embora amando as palavras e o "bem falar" o pretérito perfeito composto do indicativo ainda não foi adquirido como competência.
6ª conclusão - A generosidade é algo que determina o seu comportamento, não se esquece nunca dos outros. Partilha tudo. Se tem 2 rebuçados, mesmo que lhe tenham custado ganhar, e encontra um amigo ou se vai ter com a irmã, dá-lhe sempre um e se só tem um, parte ao meio.
7ª conclusão - A generosidade dá-lhe para ser mandona até com o Pai Natal.


"Cher Petit Papa Noël,
je veux du chocolat, des bolachinhas, je veux du maquillage et des bolachinhas, les fées de Clochette, des livres, des bolachinhas, des Pet Shop et des puzzles... et des bolachinhas.
Bisous Papa Noël.
Manon"

Conclusão essencial - Comer é a prioridade. (Pois se até com uma amigadalite, há uns tempos, que transformou as suas tonsilas no Estádio da Luz, enormes e vermelhas com pontinhos brancos, ela comia e repetia como se nada fosse!) O que eu quero, petit Papa Noël, é BOLACHINHAS"!!! E o resto é conversa.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pensamento concreto ou pensamento bilingue?

Falar para o boneco, é a sensação que todos os pais têm de vez em quando.

Anteontem, enquanto mandava vir com as manas que molhavam tudo no banho, o papá acabou o raspanete com:
- Vous avez compris? Aïe! Aïe! Aïe! Je parle en quoi, moi?
E a Mathilde muito solícita:
- En français papa!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Soluções para vilões


A Mathilde sonha com castelos e fadas, bailes com a irmã e maus que a raptam, tubarões que lhe mordem o pé e canções que ela canta e a salvam, famílias de estrelinhas e festas de casamento dela e do António na escola antiga.
Habitualmente resolve os contratempos e os sonhos têm um final feliz.
Nunca antes nos tinha contado um pesadelo até há três noites quando acordou aos gritos e explicou que estava a sonhar com "uns maus que estavam a cantar na cabeça dela para a obrigarem a fazer xixi", que sonho mais terrível!

Claro que quando se foi deitar, na noite seguinte, lamentou-se com medo dos maus mas estava tão cansada que adormeceu pelo meio de uma massagem, suspirando "Onde é que aprendeste a fazer massagens, mamã?"

Noite a seguir, bem mais desperta, lamentou-se tanto que o papá foi buscar à arca dos ursos o seu "Tintin", que tem a idade dele e está num estado mais que usado, e lhe disse que com aquele bicho estropiado ela de certeza que assustaria os "maus". Ela riu-se e dormiu.

Mas ontem, apesar da incontestável capacidade apavorante do Tintin, o urso não era suficiente e o papá disse-lhe então:
- Mathilde, tu sais, les adultes, ils ont peur aussi.
- Non papa, pas les grands. Les grands n'ont pas peur.
- Si ma chérie, les grands ont peur aussi. Et tu sais qu'est-ce que je fais pour bien dormir?
- Quoi papa?
- Je pense à un rêve que je vais faire. Un beau rêve, par exemple, je pense que je suis avec toi et maman et Manon, et qu'on est à la plage, il fait beau et chaud, et comme ça je dors très bien.
- Et après papa?
- Après c'est mon rêve Mathilde. Il faut que tu fasses le tien.
- Non papa! Il me plaît le tien!

Hoje, quando lhe dei um abraço apertado e um beijinho de boa noite, pediu para o papá ir conversar um bocadinho com ela. Assim que ele chegou:
- Papa, tu vas rever de quoi ce soir?
E o pai criou-lhe um sonho onde toda a cidade era feita de bonbons e rebuçados, com um mar de gelatina e peixinhos de goma e flores chupa-cupa, onde ele passeava e ia comendo e nos veio chamar para apreciarmos aquele mundo doce a lembrar uma história de Roal Dahl.
E ela adormeceu, embalada em chocolates, sem medos, sem "maus".

De todas as soluções propostas para afugentar monstros assutadores, lobos maus e bruxas velhacas, as mais aplaudidas são as do papá.

Negar a existência destes vilões é eventualmente um pesadelo ainda maior para os pequeninos, pois se os pais não acreditam,como é que se podem tranquilizar e chegar à conclusão da Mathilde?: "Os lobos maus não existem. E se, por acaso aparecerem, eu faço-lhes um "Panda Kung Fu" e eles fogem!"

Espero que com os "maus" se passe o mesmo.
Não deixa de ser um mecanismo mágico para a preocupação do xixi em 12 horas de sono:)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Santa, Who are you?


- Mamã, o Pai Natal anda muito depressa?
- Porquê Mathilde?
- Porque vai a casa de toda a gente não é?
- Sim, as renas são velozes e ele é despachado. E atencioso também!
- Mas é tanta gente...

Dias depois...

- Papa, le Père Noël donne des cadeaux à tous les enfants?
- Oui.
- Les Pet Shop et les Princesses et les robes et les jeux?
- Oui.
- Il a des sous pour acheter tout ça?


Quanto tempo conseguiremos manter a ilusão?

Trabalhos manuais III







(made by toda a família no dia das bruxas)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Calendário


Há exactamente 10 dias, dia 9 de Novembro, a Mathilde perguntou ao pai quando é que faríamos a árvore de Natal e o presépio. A resposta não foi inteiramente do seu agrado, dali a 15 dias.
- C'est quand ça?
- C'est dans 14 nuits, tu vas faire dodo 14 fois et après on fera le sapin.
E ficaram assim.

Hoje de manhã, no carro à ida para a escola...
- Papa, on fera le sapin dans 4 nuits.
- Quoi?... Quel jour on est? Mercredi, alors mercredi soir, jeudi soir, vendredi soir, samedi soir, dimanche! Tu es trop fort Mathilde! Oui! Dimanche, comme prévu. Dans 4 nuits chérie!

Tera sido "au pif"? Amazing anyway!:)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Love is in the air


Este ano surgiram actividades novas na creche da Manon. Uma delas, a dança criativa, está a fazer as delícias da nossa loirinha.

Ontem, quando a fui buscar, a professora cruzou-se comigo à entrada e exclamou imediatamente:
- Tenho de lhe contar uma coisa! A sua filha tem um grande amor!

E eu, muito convencida da paixão em questão, respondi sem hesitações:
- O Thomas!

Seguiu-se a revelação inesperada:
- Não! O Luca. Havia de os ver! Devia ser filmado! Nunca me tinha acontecido, tão pequeninos. Eu a explicar e eles entrelaçados. Não se largam! E a dançarem um com o outro?! É lindo! Eu disse à mãe do Luca e ela disse-me que já sabia.

Fiquei meia espantada, meia divertida. A miúda é concorrida:)! Mas afinal tanta coisa com o MEU Thomas...

Assim que houve oportunidade perguntei-lhe:
- Então a dança Manon? Foi bom?
- Sim mamã. Eu gosto da dança!
- A professora disse-me que passas a aula a dançar com o Luca. Que gostas muito dele.
- Sim, gosto de dançar com o Luca!
- Então e o teu Thomas? Afinal quem é o teu príncipe?
- São os dois! Os dois meus príncipes, o MEU Thomas e o MEU Luca!

Há que referir um detalhe que muda tudo. O Thomas é loirinho, o Luca é ruivíssimo, tal como o António da Mathilde. Estaremos destinados a ter netos cenourinhas? Que coincidência engraçada.

Claro que não esperei pela demora:
- Estás a ver Mathilde! A Manon diz que tem dois príncipes. E tu continuas a não querer o teu amiguinho da escola?
- Não. Só quero o António!

Até o pai averiguou:
- Peut-être qu'un jour, quand tu seras grande, tu auras un autre prince...
- Non papa. António grandira avec moi!

Adoro esta argumentação.
Pois bem, a Manon tem dois amores, embora me pareça que o Luca é o amor bailarino e o Thomas é o príncipe do quotidiano.
A Mathilde permanece de pedra e cal, agarrada ao seu predilecto.

I wonder como serão elas mais tarde...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

In the meantime...



Qual é a primeira frase proferida pela Manon assim que chega à escola?

- O MEU Thomas?

O Thomas é oficialmente, permanentemente, sem lugar para outra designação, o SEU Thomas :)

Põe-te no meu lugar :)


- És tão bonita, Mathilde...

- ... - ar sério, pensativo - Mamã... há um menino lá na escola que quer namorar comigo... - tom igualmente sério, meio atrapalhado.
- É? Conta-me! Conta-me!
- Eu ouvi. Ele disse-me. Perguntou se eu queria namorar com ele porque eu sou muito bonita.
- E és. E que disseste tu?
- Disse que não. - risos - Disse-lhe que já tenho um príncipe. Eu não quero deixar o meu príncipe.
- Tão querida Mathilde... quem é esse menino?
- É o JMG.
- É bonito?
- É, é bonito. É moreno.
- E nem consideras a hipótese de ter outro príncipe, agora na nova escola?
- Não...
- Pronto, tu é que sabes o que queres, é assim mesmo.

- ... mamã, tu não queres deixar de ser a namorada do papá pois não?
- Não.
- Eu também não.
- Muito bem meu amor. - esta miúda é tão esperta! - És uma princesa dedicada e sabes o que queres. E isso é muito bom. - e sabes como ganhar uma "discussão" também ;) :).

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Trabalhos manuais II


(made by Papá e Mathilde)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

School of the Arts


Ontem a Mathilde esteve a escrever com o papá alguns dados no seu livrinho dos 4 anos. Nome, apelido, cor e animal preferidos, altura, etc.

Duas coisas me fizeram sorrir particularmente.

A primeira foi a "assinatura". Escreveu o seu nome e depois fez uns riscos por cima para lhe dar um ar crescido;)

A segunda foi a resposta à pergunta "O que queres fazer quando fores grande?".
Mathilde: "Je veux danser... je veux chanter... me déguiser en princesse..."
Papa: Artiste.
Mathilde: Artiste.

E escreveu A-R-T-I-S-T-E

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

É quando a Manon quiser


Manon, diante da cena do "Peter Pan" em que os índios, escondidos por baixo de pinheiros, apanham os meninos perdidos como represália ao rapto da Princesa Tigrinha:

- Mamã! Olha! Olha! O Natal!

domingo, 2 de novembro de 2008

(Mini) Trabalhos manuais



(made by toda a família)

sábado, 1 de novembro de 2008

Meu pai, meu heroi II

Sabem aqueles momentos em que alguém especial nos toca e juramos que nunca mais lavamos aquela zona específica do corpo para o toque não desaparecer?


Ao deitar...

Papa: Mathilde, je peux te faire un bisou?
Mathilde: Oui mon papa d'amour.

Bisous e bisous e bisous!
Risos e risos e risos encantados!

Mathilde: Je vais pas les toucher, les bisous de papa. Pour les garder pour toujours!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Neuro-anatomia


Quando eu tinha 17 anos conheci um jogador de futebol, acho que do Sporting, já na reforma. Era amigo do avô de uns amigos, um ciclista duas vezes campeão da Volta à Portugal. Não me recordo do nome, apenas que me sentei à mesa de um café a comer trouxas da Malveira, à conversa com aqueles dois senhores que conheciam a vida há pelo menos mais 5 décadas e meia do que eu.

Ficaram-me vários detalhes daquele lanche, alguns cómicos como a sugestão do futebolista ao amigo para que ele arranjasse uma namorada com o acrescento da solução prática no caso desta ser marreca, de a levar para a praia, fazer uma cova na areia e encaixar lá a corcunda, mas um houve que mais me impressionou e que ressoa cá dentro até hoje.
Aquele antigo craque da bola contou-me que um dia se apaixonou, por uma mulher por quem deixou a casa, a família, o trabalho, o país. "Atravessei o mundo atrás dela, perdi-me por ela, pelo cheiro dela, porque o amor está no cheiro da pele..."

O cheiro da pele, O detalhe.

Quando estudei o Cérebro (O Sérgio para os amigos;)), conheci o Lobo Límbico, uma porção filogeneticamente muito antiga, existindo em todos os vertebrados.
Do ponto de vista funcional admitiu-se durante muito tempo que o lobo límbico teria funções olfativas, fazendo parte do chamado rinencéfalo, ou encéfalo olfativo mas percebeu-se mais tarde que este anel cortical se relaciona fundamentalmente com a regulação dos processos emocionais (entre outros) e que nada tem a ver com a apreciação consciente dos odores.


Há bastantes meses, numa tarde de fim-de-semana quando fui acordar a Mathilde que dormia a sesta, não a encontrei na cama dela e, intrigada, procurei-a dentro do roupeiro, na casa-de-banho, no quarto da Manon, no roupeiro da irmã, julgando que me pregava uma partida.
Encontrei-a a dormir na nossa cama, toda tapada para não ver a luz que entrava pelas janelas. Enfiei-me por baixo do edredon, encostei-me a ela e dei-lhe uma beijoca.
Estremunhada, olhou para mim e disse "Vim para aqui porque gosto da cama do papá e da mamã. Cheira bem. Cheira ao papá e à mamã. Queres ver? Cheira lá aqui!" e encostava o nariz ao lençol e às almofadas.

Há duas noites, quando a deitei, não queria que eu saísse de ao pé dela e, como se mostrava inconsolável, perguntei-lhe se ela queria alguma coisa minha para dormir. A resposta foi afirmativa e como a única coisa que tinha era o pijama, tirei a camisola e deixei-a entre os braços dela. Assim dormiu.
De manhã ao acordar, meia adormecida ainda, que ela tem um despertar parecidinho com o meu, devagar devagarinho, oposto aos da irmã e do pai que acordam prontos para cálculos matemáticos avançados e em plena actividade motora imediata, sorriu-me e confirmou "Quero dormir sempre com o teu pijama. Cheira a ti mamã!"

Relacionados ou não o Rinencéfalo e o Lobo Límbico, o que é certo é que o amor está no cheiro da pele.
Não há neuro-cientista que abafe este eco por mais "cortiça" cerebral que desvende e interponha entre os dois.

domingo, 26 de outubro de 2008

A magia da sina

Quando abraço as minhas filhas ao meu colo lembro-me, por vezes, delas bebés e embora goste e aproveite todas as fases de cada idade, tenho saudades. Se pudesse tinha 4 ou 5 filhos ou mais.

Quando tinha aí uns 7 ou 8 anos, tirei a minha sina numa máquina no Jardim Zoológico, sim havia uma máquina de sinas no Zoo, e na minha actual fantasia imprecisa era parecida com a "Zoltar" do filme "Big".
Deu-me, a troco de uns tostões, um bilhetinho em cartão duro, como os antigos bilhetes de combóio mas sem nenhuma marca em forma de lua ou de estrela do picas, que na frente dizia "Alberto, que lindo nome" e no verso terminava afirmando que eu teria 12 filhos e 27 netos.

Não tive nenhum namorado Alberto, sei que na altura me lembrei que o pai da Zé dos 5 (da Enid Blyton) se chamava assim e como nas brincadeiras da escola eu era sempre a Zé, não porque fosse Maria Rapaz mas porque gostava do cão e do protagonismo rebelde da personagem, achei esquisito ir casar com o meu pai. Claramente um conflito edipiano ;)
Quanto aos 12 filhos talvez fosse uma coisa simbólica a apelar ao meu lado maternal porque me parece que, ainda que desatasse agora a fazer crianças, ou as tinhas às ninhadas ou a coisa é obviamente improvável.
Os 27 netos... bom também não desejo ninhadas às minhas filhas e como tal espero que a máquina desconhecesse o significado dos algarismos e achasse apenas bonita a combinação do 2 e do 7 que aliás me agrada também.

No entanto, mesmo não tendo tido nunca aquela convicção que proclamam muitas mulheres de ter nascido para ser mãe e não o ter desejado desde menina como se fosse o único objectivo da minha vida, a maternidade sempre me pareceu algo natural e que aconteceria na fuidez do meu caminho. E quando tal aconteceu percebi que podia ter os tais 12 filhos e 27 netos do "Zoltar" do Zoo.

Tenho saudades das minhas quando eram bebés.
Tenho saudades da sensação de felicidade intocável assim que elas nasceram, do primeiro dia, daquele perfume de recém-nascido, da tranquilidade profunda dos seus sonos, dos braços esticados por cima da cabeça e das mãozinhas papudas fechadas, do olhar atento a descobrir o mundo, do sorriso desdentado, dos primeiros passos, das primeiras palavras, tenho saudades de tudo.

Não estou com um desejo súbito de ter mais bebés, estou apenas a recordar e sei que temos duas meninas maravilhosas, saudáveis, divertidas, inteligentes, gentis, meigas e tão bonitas, desde sempre.

E tal como tenho saudades, tenho também o prazer do aqui e agora, a crescerem, tão grandes e pesadas que já pego dificilmente nas duas ao mesmo tempo, tão cómicas que me dobram a rir, tão espertas que me ensinam todos os dias, tão ternas que me comovem até às lágrimas, tão perfeitinhas que me pergunto como sempre "Como é que eu fiz isto?"
É que, realmente, é mágico.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Menino ou Menina


Na sala da Manon fizeram um trabalho sobre as características de cada género.
As considerações foram registadas e expostas.

Os conhecimentos são variados:
"As meninas têm o cabelo comprido."
"As meninas usam vestido"
"As meninas têm ganchos no cabelo."
etc... etc...

Cada menino ou menina elegeu uma particularidade.

E o que disse a Manon?
"A menina tem pipi."

Claro, no meio disto tudo, evidentemente, é o que mais importa;)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Good cop/bad cop


A Polícia na cabeça da Mathilde está envolvida num certo mistério.
Julgo que apesar de lhe explicarmos que os polícias ajudam as pessoas, verdade indubitável para mim desde o dia em que, já há alguns anos, um agente da autoridade mudou um pneu do meu carro, cheio de boa vontade acrescente-se, para ela as forças policiais ficaram marcadas por duas coimas daquelas azaradas.
Nada de grave, um estacionamento não autorizado e um atraso de um mês no que à inspecção diz respeito.
Aqui me defendo, apesar de reconhecer que a lei é a lei e de reconhecer igualmente que nem sempre a lei me agrada, afirmando que o carro tinha sido comprado, como carro de serviço, em Agosto com uma matrícula de Maio e na minha cabeça, em Junho ainda não tinha feito 4 anos.
Nada a fazer que o polícia estava num dia de má catadura e eu às tantas de má catadura fiquei e disse apenas: "Então e agora?" e ele: "Vou altuá-los!" e eu: "Pois altue mas depressa se fizer favor que eu tenho 2 crianças pequeninas no carro, como pode ver, 300 km pela frente, está calor, são horas de almoçar e as barrigas das crianças não são tão tolerantes à hipoglicémia como as nossas!".
A má catadura tornou-se a ordem do dia para todos os envolvidos e o papá espumava enquanto se passava mais de uma hora para concluir a situação porque pelos vistos era a primeira vez que tal infracção era sancionada em Tavira e nem 4 polícias todos juntos eram capazes de descobrir o código a escrever. Muita paciência tiveram a Mathilde e a Manon!

Ora há duas semanas, vínhamos das escolas e ao nosso lado num semáforo parou um carro da Polícia Municipal conduzido por um agente bem disposto.
A Mathilde pôs-se a olhar para ele com um grande sorriso.
Ele disse-lhe adeus, ela disse-lhe adeus de volta.
Ele perguntou-lhe "Como te chamas?" e ela respondeu "Mathilde! E esta é a minha mana Manon!".
Ele disse adeus à Manon que o espreitava interessada do outro lado.
A Mathilde continuou: "E tu como te chamas?" e ele "Victor" e ela "Olá Victor!".
E nós a vermos.
O semáforo abriu e ela: "Adeus Victor!" e ele " Adeus Mathilde!".

Cena contínua, vira-se para a Manon e exclama muito contente: "Viste Manon? Um querido polícia!" e depois para nós, sentados à frente e dobrados de riso com o adjectivo colocado à inglesa imprimindo à expressão uma força redobrada e vincando a impressão mais importante do contacto entre eles, a simpatia e não a função profissional, e afirma: "Eu quero ir à casa do Victor!".

Suponho que não preciso de lhe contar do pneu, das indicações de direcção quando me perco, das conversas divertidas nas operações stop no Natal e outras situações simpáticas que já vivi com a Polícia.
Parece-me que o Polícia Victor resolveu o amargo de boca da hipoglicémia de há uns meses.
Obrigada Sr. Agente!

Idades

A Mathilde cresce a olhos vistos.
Nas últimas semanas age com uma desenvoltura imparável. Fala e fala, cheia de expressões conceitos novos e para além dos hábitos quotidianos inerentes à condição humana onde se inclui a higiene, a alimentação e outras coisas que ela já desempenhava autonomamente, resolveu ajudar a pôr a mesa, levantar a mesa e fazer café.
Embora tenha tido a sua fase dos rituais obsessivos, como todas as crianças entre os 2 e os 3 anos, altura em que arrumava tudo e tudo bem direitinho no sítio certo (fase em que a Manon se encaixa na perfeição no ano corrente, com uma meticulosidade por vezes desesperante para pais bastante menos obsessivos), esta nova fase pouco tem de meticuloso ganhando sobretudo em orgulho de menina a crescer.

Entrámos também na fase da contra-argumentação mais elaborada que nos desenha um sorriso imediato e também imediata perda de autoridade. É demasiado engraçado para se manter a compostura.

Exemplo:

Papa: "Mathilde, est ce que tu peux ranger le fromage et le paté dans le frigo?"
Mathilde: "Oui papa."

E pega apenas no queijo dirigindo-se ao frigorífico.

Papa: "Les deux chérie, s'il te plaît."
Mathilde (sem olhar para trás e arrumando o queijo): "Une chose à la fois. J'ai que deux mains quand même!"

Contra factos não há argumentos, são 4 anos e meio e 2 mãos pequeninas :)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Singing Songs

Quando eu era pequenina, aprendia muitas coisas a cantar. Mesmo depois de maiorzinha continuo a aprender, agora que penso nisso.

Ainda sei os verbos transitivos, o plexo cervical e os músculos do pé graças a tê-los posto em canção e uma vez apresentei um trabalho a cantar na faculdade. Era a única forma do dito parecer um "belo" feito e acabou mesmo por ser.

De vez em quando invento umas canções para as meninas com assuntos gerais, chamemo-lhes assim, os meses, os dias da semana, etc. Há pouco tempo, aproveitando uma melodia conhecida que a Mathilde e a Manon cantarolam, o clássico "Biquini às bolinhas amarelas", pus a rimar o nosso Sistema Solar, cheio de bolinhas de muitas cores.

Vou ensinar-te os planetas Mathilde
Os grandes astros do Sistema Solar
Às voltas andam à volta do Sol
A nossa estrela que está sempre a brilhar

E são: Mercúrio e Vénus e Terra e Marte
Os primeiros a rodopiar
Jupiter, Saturno, Urano, Neptuno a seguir
Que o Plutão já não é p'ra contar



Tive de referir o planeta com nome do cão do Mickey versão XXL há uns anos banido. A lista não me parece completa sem aquele "ÃO" final.

É muito engraçado ouvir a Mathilde a cantar com grande desenvoltura como se não fosse nem um bocadinho difícil dizer aquilo tudo de seguida sem respirar aos 4 anos e quase meio e com um Ai! Ai! Vou ficar sensacional! entre a estrofe o refrão.

A Manon tenta, atingindo um grau de comicidade bastante elevado, mas anda mais francesa que lusa desde que veio de férias e prefere:

Une souris verte
Qui courait dans l'herbe
Je l'attrape par la queue
Je la montre à ces messieurs
Ces messieurs me disent
Trempez là dans l'huile
Trempez là dans l'eau
Ça fera un escargot
Tout chaud


E com tanta cantoria inventada, elas inventam-na também, desde sempre mas mais ainda à medida que crescem. E a Mathilde já rima e tudo, por vezes de forma espantosamente certinha e nada forçada.

Babo? Sim, muito :)

E comovo-me muito também.